"Como gostaria de levá-la aos meus lugares e conhecer os seus."
Um dia na fila da balada uma amiga pergunta. E se tiver uma “dona” que não gostar desta festa? Respondi que deixaria de ir. Amiga pergunta de novo. E se ela não gostar da Maratona de cinema do Odeon? Faço uma com ela em casa.
Hoje não penso dela não gostar. Gostaria tanto de com ela está. Que só me vem a cabeça estar com ela em “meus” lugares. E conhecer os seus. Sabendo que muitos descobri só para com amigos está. E de tanto frequentar. Passei a gostar e até a frequentar mais que a amiga que me levou. E como realizei o sonho de a DDK conhecer. Gostaria que ela viesse a conhecer e a gostar.
Os lugares que gostamos nos revelam? Nem sempre. Gosto de cinema e a DDK é realizada em um cinema. O maior de todos, que nunca saberia como é se festa lá não fosse.
Os lugares revelam que com amigos desejo está. E a todos gostaria de com ela está!
A MARIA REZENDE é uma poeta carioca que recentemente lançou um livro encantador chamado "Bendita palavra", onde, entre tantos versos, fui surpreendida por este: "Dentro de mim
não é mais um bom lugar para se viver".
Este verso reflete uma necessidade de se exorcizar, um pânico de não detectar dentro de si um abrigo, uma quentura, um espaço aprazível onde caibam todos os nossos fantasmas.
A voz que fala através da poeta tem vontade de expulsar-se de si própria, já não reconhece um sol interno - isso sou eu que estou interpretando, Maria fala mais bonito: "Teve um tempo em que esse dentro parecia com o fora/era um ótimo lu
gar pra uma moça como eu era".
Aí a personagem do poema virou uma moça diferente, hospedou em si uma criatura arrebentada, ferida, nauseabunda, e danou-se, agora ela não é mais um bom lugar para se viver.
Explica tanta coisa, esse sentimento.
Explica a gente não conseguir se relacionar bem com os outros, explica autoflagelo, explica engordar ou emagrecer além do razoável,
explica suicídio, explica nosso estrangeirismo mesmo quando sozinhos - ou principalmente na solidão. Como lidar com esse despatriamento, para onde levar nossa mochila, nossa bagagem, nosso
eu mesmo pra se instalar em outro corpo? Nascer de novo não dá.
Ou até dá. Até dá.
De vez em quando é necessário a gente se perguntar se dentro de nós é um bom lugar para se viver. Depois de ler Maria Rezende eu tenho me perguntado isso. E a resposta
sem nenhum charme intelectual, sem nenhuma espécie de autoaversão, sem nenhuma inclinação underground,
ou seja, da forma mais simplória, é que sim, eu sou um bom lugar para se viver.
Dentro de mim há pensamentos demais, o que torna tudo meio apertado, mas tenho tentado dar uma arrumada nessas idéias para que cada uma fique na sua gaveta. Há
também sentimentos demais, mas de forma alguma vou expulsá-los, deixo que circulem à vontade pelo meu corpo. Dentro de mim as estações são bem definidas:
verão é verão, inverno é inverno. Toca música aqui dentro quase o tempo todo, e há uma satisfação secreta que precisa se manter secreta para não passar por boba. Há crianças e adultos
dentro de mim, todos da mesma idade. Aqui dentro existe uma praia e uma montanha coladas uma na outra,
parece até Rio de Janeiro, só que os tiroteios são raros. O último bangue-bangue emocional que metralhou minha alma faz quase um ano. Dentro de mim estão muitas lágrimas que
não foram choradas pra fora e muitos sorrisos que, de tão íntimos, também guardei. Dentro de mim, às vezes, são produzidas algumas cenas sofisticadas e roteiros de filme B. Como não gostar
de viver aqui dentro?
E você, tem sido um bom hospedeiro de si mesmo?
(Martha Medeiros)
Tento ser todos os dias. Se o dia não é bom, tento me recompensar outro dia, outro momento. Ou esperando o dia acabar, a semana e esperar o fim de semana chegar.
Um doce.
Varios salgados.
Muitos sons, músicas.MPBFM
Um filme, cinema, DVD, serie...
Uma passeio no shopping, pelo centro da cidade, centro cultural...
Estar com amiga, com amigos.
A balada de fim de semana.
Não tenho sido um bom hospedeiro para mim as vezes, mas tento a mim recompensar sempre.
Alguém disse que ele a espera no vão dos trilhos na pressa dos dias primitivos aguarda ela passar Impreciso entre os outros transeuntes disfarçado simbólico falsamente distraído contando os minutos duvidosos e o retinir do peito invadindo ansiedade E quando o horizonte inebriante de suas passadas surgem não é só o chão que sente seu corpo todo sente também anestesiado pela ânsia de contato mesmo que breve Arqueja Arfa Sente o suor pegajoso de mãos geladas E ela vai some na neblina misteriosa que a protege Mística quase a tal moça do mêtro
Todo dia de manhã me perco ao te encontrar Um dia você se encontra em mim pra variar?
"Olhar, gostar só de longe Não faz ninguém chegar perto E o seu pranto, óh, triste senhora, Vai molhar o deserto"
(Cartola)
Numa manhã na estação do metrô da Praça XI, estava esperando sentado junto a uma grade que o relógio marcasse 7hs. Essa manhã, que se difere das outras, por ter esquecido de mirar as horas, passei das 7hs na estação. Quando do nada surge aquela garota que fez com que meus olhos a seguissem até ela desaparecer no horizonte.
Talvez por ela parecer que não quer ir. Talvez por ela ir bem de vagar. Talvez por ela parecer a única sem pressa , naquela hora. Quis ver mais e saber mais.
Desse dia em diante passei a esperar por ela. Depois passei a não aguentar esperar por ela sentado na mureta. Já ficava no muro da estação, de onde se vê quem vem no metrô, mesmo antes dele parar. Afim de adivinhar em qual ela viria.
O engraçado que quanto mais quero vê-la. Quando mais algo dentro de mim diz que gosta dela. Quando ela surge, mais me sinto constrangido. As vezes fica difícil até suspender os olhos quando ela surge na escada rolante. Tenho aquela sensação que ela pode fazer comigo o que ela quiser. E aquela vontade imensa de dizer o quanto quero lhe falar, lhe conhecer e fazer carinho.
Não sei dizer quando, qual momento meu coração entrou em festa por ela. Ou quando ele começou a se alegrar toda vez que ela aparecia. Sei dizer que essa aparição deixava o meu dia em flor. Só de pensar que iria encontrá-la me fazia cantar mesmo na fila do ônibus. Ver os pombos seus vôos e pousos. As sombras dasnuvens sobre a luz do sol. E ouvir MPBno MP3 nunca foi tão doce. Nunca me esqueço da quinta feira que fuitrabalhar fora do meu plantão e na estação do metrô não a avistei. Cheguei no trabalho falando. “Detesto gente que não trabalha quinta- feira.” Ninguém entendeu nada. Porque não trabalho nesse dia, era só um extra.
Teve um dia também que fiz toda a rotina do dia de trabalho. Acordar ás 5hs. Ir para a fila do ônibus, parasair às 6hs. Chegar na estação esperar por ela passar. Ir à casa de sucos, aonde ela vai, em horários diferentes que o meu e voltar para casa. Minha mãe e meu irmão estranharam. E fizeram perguntas até eu dizer porque acordei cedo e fiz toda a trajetória de ir trabalhar. Quando disse o motivo minha mãe falou: “Eu e seu irmão podemos jogar na loteria, acertamos o motivo da sua ida e volta tão rápida.”
Até o dia que minha chefa me ligou, enquanto me dirigia para o trabalho, com a esperança de vê-la, a garota do metrô. Falando que não poderia abrir a seção. Gelei, tendo que chegar cedo, não há veria naquele dia.
Depois a chefa brincou, no plantão seguinte você poderá ver o colírio dos seus olhos. Isso me surpreendeu, não por ela saber o motivo pelo qual eu me atrasava, claro que contei. Pois não queria perder a minha ida até ao metrô. E sim, por que para mim já á encarava muito mais do que isso. Fiquei me perguntando. E meu sol, minha estrela, minha lua no firmamento, minha canção de embalar, minha calda do brauner, minha bandeirada de formula um e o set vencido pelo meu time, quem era então? Para mim ela já era isso tudo ou igual ou melhor.
Houve vezes que disse que falaria com ela. Então como não falei a segui até a casa de sucos. Sei pelo crachá e pela proximidade que ela trabalha numa empresa de telemarketing.
Claro que já a procurei em todas as comunidades dessa empresa. Até já fiz um tópico em uma delas. Já falei com algumas garotas pelo orkut. Mas o que sei dela é tão pouco que não ajuda. Sem esquecer das noites de sono que perdi ensaiando o que iria dizer a ela.
Não tardou muito até que minha chefa adoeceu. Tive que abrir a seção todos os dias que trabalho e não posso mais vê-la. Mesmo assim não me canso de ficar lá na esperança que ela chegue antes das 7hs algum dia.
De tanto ver e não falar. Não se aproximar. E agora nem isso poder mais. Meu coração já me disse: “Se você não vai falar, não quero mais ver.O que um dia foi festa hoje só me faz sofrer. Nasci dentro de ti, não posso mudar isso. Então ver também não quero.” Então como ele é o único que me acompanha sempre. Seja onde for e em qual situação for, resolvi ou melhor está acontecendo o que ele quer. Fiquei semanas sem minha vista por nela.
Mas algo aconteceu na quarta-feira passada. E foi tão rápido e inesperado que até estranhei. Nem pude adivinhar se ela viria no metrô ou não, ela veio no primeiro trem. E foi como um furacão. Subiu as escadas, passou e sumiu como um adeus.
P.S.: ESSE TEXTO FOI UM EMAIL EM RESPOSTA A MINHA AMIGA DE ORKUT SOBRE MINHAS MUDANÇAS DE HUMOR OU ALGO PARECIDO.
"Sonhar só não tá com nada. É uma festa na prisão." (cazuza)
P.S.: “Mas quando ela passa por mim.” “Se chovesse ela.” “Se ela fosse eu” e soubesse o quanto eu gosto dela.O CD da Eliana Printes e a trilha sonora da minha vida.
@@@Porque o mais recente cd de Eliana Printes é a trilha sonora da minha vida: "Se você fosse chuva Eu me deixava molhar de prazer Dançava na rua pra ter Minha roupa bem molhada Minha alma encharcada Se chovesse você" (- Se vc fosse chuva - Eliana Printes & Chico Cesar)
"Todo dia pela manhã vem o sol beijar os seus pés
Iluminando as sandálias dessa pintura de mulher
...
Você sabe enfeitiçar
Com um sorriso leve no canto da boca e esse jeito de olhar
...
Vou fazer promessa
Vou pedir as fadas
E se for preciso até
Fazer meus encantos
Vou pedir em prantos ao glorioso São José
Mas não sei se isso ajuda
Eu só sei que tudo muda quando você passa por mim"
(Elina Printes - Quando você passa por mim)
"Eu queria que você fosse só por um momento
o que sou te amando tanto
pra saber como é por dentro
...
iria ver que um sentimento bonito assim não se inventa
...
talvez me achasse louco
...
passaria noites sem sono
...
talvez sofresse um pouco sentindo aquilo que é meu talvez me achasse louco
Elisa Lucinda Moço, cuidado com ela! Há que se ter cautela com esta gente que menstrua... Imagine uma cachoeira às avessas: cada ato que faz, o corpo confessa. Cuidado, moço às vezes parece erva, parece hera cuidado com essa gente que gera essa gente que se metamorfoseia metade legível, metade sereia. Barriga cresce, explode humanidades e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar mas é outro lugar, aí é que está: cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita.. Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente que vai cair no mesmo planeta panela. Cuidado com cada letra que manda pra ela! Tá acostumada a viver por dentro, transforma fato em elemento a tudo refoga, ferve, frita ainda sangra tudo no próximo mês. Cuidado moço, quando cê pensa que escapou é que chegou a sua vez! Porque sou muito sua amiga é que tô falando na "vera" conheço cada uma, além de ser uma delas. Você que saiu da fresta dela delicada força quando voltar a ela. Não vá sem ser convidado ou sem os devidos cortejos.. Às vezes pela ponte de um beijo já se alcança a "cidade secreta" a Atlântida perdida. Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela. Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas cai na condição de ser displicente diante da própria serpente Ela é uma cobra de avental Não despreze a meditação doméstica É da poeira do cotidiano que a mulher extrai filosofando cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso julgando a arte do almoço: Eca!... Você que não sabe onde está sua cueca? Ah, meu cão desejado tão preocupado em rosnar, ladrar e latir então esquece de morder devagar esquece de saber curtir, dividir. E aí quando quer agredir chama de vaca e galinha. São duas dignas vizinhas do mundo daqui! O que você tem pra falar de vaca? O que você tem eu vou dizer e não se queixe: VACA é sua mãe. De leite. Vaca e galinha... ora, não ofende. Enaltece, elogia: comparando rainha com rainha óvulo, ovo e leite pensando que está agredindo que tá falando palavrão imundo. Tá, não, homem. Tá citando o princípio do mundo!
Hoje, acho que passei por alguns momentos de um dia triste.
Desejos, reprimidos.
Saudades!
Distancia.
O quanto se faz necessário para se realizar um desejo, um sonho?
A pequenez da nossa vontade em oposição a nossa atitude diante do dia!
Será já ser coisa de inferno astral?
Diante do niver?
E os outros dias, quais são as verdadeiras razões?
E nem vai ter Maratona, sexta.
Nem Lapa.
Nem Cia para o teatro.
Nem festa em Copa.
Mais um findi de sala escura e emoções planejadas e seguras.
Cinema.Cinema.Cinema.
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...OS SINAIS FECHAM, OS SINAIS ABREM. VOCÊ SEGUE ADIANTE,VOCÊ FREIA. AGENTE ATRAVESSA A RUA E VAI PARAR EM OUTRO MUNDO, BASTA DAR OS PRIMEIROS PASSOS...